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Prevent Sênior: política no lugar de saúde

07/10/2021

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O recente escândalo envolvendo a operadora de planos de saúde Prevent Sênior mostrou a ponta de um iceberg que pode estar corroendo a república como uma ferrugem.

Quando preferências pessoais ou políticas ou de autoridades públicas ou de empresas privadas passam a valer acima de fatos, da ciência e da impessoalidade.

Vemos isso quase que diariamente com o Ministério Público, quando promotores podem propor ação contra quem querem, e não propor contra quem não querem, pelos mesmos fatos.

Um exemplo é a questão da acessibilidade. Em algumas cidades, os promotores as exigem. Em outras, fecham os olhos.

Uma operadora de plano de saúde, como se tem noticiado, percebeu que ao invés de aplicar exames para Covid-19, recepcionar doentes e tratá-los, acabaria ganhando mais dinheiro através da economia: passou a, em casos suspeitos, enviar o chamado “tratamento precoce” inventado por Bolsonaro para os pacientes.

Acreditando na eficácia prometida pelo presidente e pelo plano, mas não por cientistas nem mesmo pelo fabricante dos remédios - que em nenhum momento disse que serviriam para tratar Covid-19 - os pacientes foram sofrendo as consequências.

Os internados em UTI, após alguns dias, recebiam alta. Como que seguindo o que disse o presidente: “todos nós vamos morrer um dia”. Segundo a advogada de um grupo de médicos que trabalharam com a Prevent Sênior, a alegação era singela: “óbito também é alta”. A ordem era desocupar a UTI para próximos pacientes.

A enorme quantidade de pacientes em UTI acabou mostrando, sem que essa fosse a intenção, que de fato o tal “tratamento precoce” não funcionou: a quase totalidade dos pacientes da Prevent Sênior que morreram de Covid-19 fizeram uso do tal “tratamento precoce”.

Daí entrou a necessidade de outro ajuste: alguns óbitos por covid-19 passaram a ser relatados como outras causas de morte.

Ao decidir sobre a vida e a morte de conveniados usando opiniões políticas e não a ciência e a medicina em sua técnica, um plano de saúde pode ter causado mais mortes a seus conveniados do que se estes estivessem se tratado no SUS.

Estes dias trevosos tem permitido um absurdo que, há 10 anos atrás, se contado, ninguém ousaria acreditar: que opiniões de leitos e de políticos (cujos interesses muitas vezes não ficam dentro dos primados deontológicos ordinários) seja tomada como superior à ciência, à medicina.

Já vimos, outras vezes, a medicina rumar para a política.

Mas admitir que políticos decidam saúde no lugar de médicos, é um absurdo incompreensível.

 



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