SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



O desejo de morrer e o sentido da vida

13/05/2021 - por Thiago da Silva Vieira

Em primeiro lugar, para ser sábio o homem precisa reconhecer as limitações de seu conhecimento. É apenas mediante a sabedoria dada por Deus que podemos lidar com nossas limitações em meio às turbulências da vida. Deus tem um propósito para todas coisas, que está além de nosso conhecimento limitado.
Nos dois primeiros capítulos do Livro, Jó é descrito como alguém íntegro e próspero, seus dez filhos lhe trazem alegria, além disso era famoso por sua sabedoria e zeloso com a santidade de sua família diante de Deus. De repente, sem saber o porquê, Jó perdeu tudo o que tinha. Sua lastimável condição fez com que três de seus amigos viessem de longe para partilhar seu sofrimento e oferecer consolo. Eles ficam em silêncio por sete dias (2.11-13). Após isso, Jó quebra o longo silêncio depois de meditar sobre a sua tristeza. Ele está horrorizado com o que lhe aconteceu. Em seu discurso, Jó lamenta seu destino, questiona o significado e a continuidade de sua vida (3.1-19, 20-24).


A pergunta principal nesse discurso é: Por que? Por que estou sofrendo? Qual o sentido disso tudo? Por que continuar vivo? Por que ser obediente a Deus, se o que recebo é somente dor?


Essas não são apenas perguntas de Jó, mas são comuns a todos os seres humanos ao se deparar com o sofrimento, ou com uma vida em que ele entende que não tem sentido. É bastante comum buscarmos respostas quando as coisas vão mal. Buscar o porquê do sofrimento não é errado, o errado é querermos responder segundo nossa sabedoria humana limitada que está ao alcance apenas de nossas experiências. A realidade é maior do que podemos enxergar.
Em uma primeira análise, Jó procurava respostas sobre seu sofrimento, porém Deus estava em silêncio, então ele raciocinou e interpretou a realidade segundo suas próprias limitações, logo entendeu falsamente que diante do sofrimento sua existência era sem sentido. Para ele era melhor não ter nascido, amaldiçoou seu dia de nascimento (Cap 3.1-19).


Seu atual estado ameaça cancelar sua crença na bondade e justiça de Deus, ao fazer dele um homem sofredor. Para Jó, a morte seria um alívio do seu sofrimento (3.20-24). Ele estava rejeitando a maneira de Deus lidar com sua vida. Aqui temos um ‘espetáculo’ da desgraça humana. O homem, sem a compreensão de que a realidade é muito maior do que sua sabedoria pode perscrutar, é conduzindo à falta de sentido existencial. Para ele a vida só tinha sentido enquanto tudo estava indo bem, como se Deus criasse o homem para os prazeres e não para desfrutar de Sua presença.
Em nenhuma hipótese Jó, ao desejar a morte, estava querendo cometer o suicídio; ele compreende que a vida é um dom de Deus e que somente Deus tem o direito de tomá-la. Por isso ele sofre, uma vez que sua vida não está em suas mãos, e sim nas mãos de Deus.
Algumas lições sobre o trauma de Jó:


1. Jó sabe que Deus é soberano, que está por trás de toda situação que ele está enfrentando. O problema de Jó não era com a soberania de Deus, mas com Sua bondade e justiça. Afinal, ele era inocente, obediente e valorizava Deus acima de sua família, dinheiro e saúde. Por que ele estava sofrendo? Se ser obediente não nos livra do sofrimento, então qual o sentido da obediência?


Jó não entende o seu sofrimento porque tem uma teologia errada. Ele pensa que Deus deve recompensar sua obediência, por isso acha que Deus estava sendo injusto.


Por que questionamos a Deus quando as coisas estão ruins? E quando as coisas estão boas não o questionamos? Isso parte de um falso conhecimento de Deus e de nós mesmos. Pensamos que Deus nos deve uma vida boa, mas o contrário é verdade. Não merecemos coisas boas, pois somos pecadores, tudo que recebemos é dádiva graciosa de Deus. Esse é um grande segredo para enfrentar perdas com alegria: Deus é justo e bom mesmo quando ele tira algo de nós, afinal Ele não nos deve nada. Sendo assim, a obediência a Deus não deve ser motivada pelas bênçãos que recebemos, mas por amor a Deus, pois Ele é nossa alegria suprema, não suas dádivas.


2. Segundo Tiago, Jó foi um exemplo de paciência na aflição (Tg 5:11). Não porque não reclamou de sua situação, mas porque, mesmo reclamando do tratamento que lhe foi dado por Deus, ele nunca abandonou sua fé.


Embora Jó não receba qualquer explicação sobre o porquê sofreu tanto, ele compreende quem soberanamente designou tempos e circunstâncias. Mesmo em meio à aflição e ao sofrimento o crente não precisa saber porque sofre, desde que saiba quem o conduz em meio às provas, Deus.
3. Há um propósito por trás do senso da falta de sentido da vida. Deus está nos conduzindo a rejeitarmos todas as promessas de valores e felicidade nas coisas criadas, e olharmos para Ele, Sua vontade perfeita e Sua Glória como o propósito de nossa existência.
Muitos, por menos do que Jó sofreu, tiram a própria vida, porque colocam o sentido existencial em algo desse mundo imperfeito: relacionamento amoroso, dinheiro, poder ou status social. Quando lhes faltam essas coisas, a vida para eles perde o sentido. O suicídio é consequência da conclusão errada de que: se não tenho isso, minha vida não tem sentido.


4. Deus não nos criou para encontrarmos o propósito de nossas vidas em nós mesmos, em nossos desejos ou em algo desse mundo, mas n’Ele, pois por mais que desfrutemos de coisas boas, um dia o sofrimento vem, a velhice, que somente traz canseira, chega, e, enfim, a morte. O que há depois? Será que nossa existência se resume apenas a este mundo e seus prazeres? Se sim, então quando a vida fica ruim, onde não há mais prazer, porque se manter vivo? Logicamente a morte seria a saída. Essa é a linha de raciocínio de Jó, que nos faz lembrar o apóstolo Paulo, que logicamente afirma que se Cristo não ressuscitou, a coisa mais lógica a fazer é comer e beber e se divertir o quanto for possível. Mas, de fato, há um propósito em nossas vidas apesar das circunstâncias, e esse propósito é glorificar a Deus enquanto estamos neste mundo de dores, e, após a morte, desfrutar das bênçãos preparadas para os que o amam.


Em que o descrente se firma quando ele está doente, quando chega a velhice, quando ele não pode mais se divertir? Em nada. Porém, nós, cristãos, temos uma viva esperança que nos dá poder para perseverarmos enquanto somos provados na fornalha da vida. É a coroa de glória comprada por Cristo em Sua morte na cruz. Jesus Cristo é nossa força; podemos dizer: tudo posso naquele que me fortalece.

Texto publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA de número 1663 de 17/4/2021, p.11

 

 

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