SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



A felicidade dos mansos

22/05/2021 - por Thiago da Silva Vieira

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” Mateus 5:5

O poder não é vantagem para alcançar a verdadeira felicidade. É apenas um engano que termina com a morte. Quando todos “aprendem” que são iguais. Em nossa sociedade, os valentes, os fortes e os poderosos são honrados. A busca por poder é um círculo vicioso que causa danos à humanidade. Por causa da busca pelo poder, milhões de pessoas foram mortas em guerras civis e mundiais.
É só olharmos a situação política mundial atualmente, a busca por poder revela monstros humanos que a todo custo buscam a derrocada dos seus adversários. Esse é o reflexo do coração humano, que deseja conquistar o poder através do poder, e quanto mais poder, mais controle sobre os outros.
Os judeus na época de Jesus mantinham ideias semelhantes sobre o reino de Deus, eles aguardavam a vinda de um messias poderoso, um guerreiro militar, um estrategista político, que libertaria Israel do jugo romano e estabeleceria seu reino com poder. O nosso Senhor Jesus Cristo contradisse esse ideal judaico de reino, por isso muitos judeus não reconheceram Jesus como seu messias. Jesus, ao invés de vencer pela violência, venceu pela mansidão, dando sua vida na cruz e adquirindo domínio sobre todas as coisas.
Com isso, nessa bem-aventurança Jesus está citando o Salmo 37. Esse Salmo faz um contraste entre dois tipos de pessoas que habitam na terra, justos e injustos. Os injustos não temem a Deus, nem confiam Nele. Eles tramam, fazem trapaças, usam a força e a violência para conseguirem o que desejam. Eles oprimem os mais fracos, transgredindo a lei de Deus. Os justos, ao verem isso, ficam indignados, porém agem de maneira contrária. O Salmo começa dizendo ao justo para não se importar ou ter inveja dos injustos e de seu sucesso, pois todo sucesso que eles alcançam por meio da violência e opressão é apenas superficial e temporário. Pois os injustos serão destruídos. Por isso, ao invés de lutar, como fazem os injustos, o justo deve confiar em Deus para realizar seus desejos e defender sua causa. Os injustos podem ter abundância de dinheiro neste mundo, mas os justos têm abundância de paz (SI 37.11). Os injustos podem ter propriedades, frutos de injustiças, mas não podem levar nada após a morte, a não ser seus pecados e o castigo eterno. Os justos desfrutarão dessa Terra restaurada e redimida. Habitaremos no novo céu e na nova terra e reinaremos com Cristo. Os mansos são felizes, pois têm Deus e Suas bênçãos.
A mansidão é o resultado do conhecimento de nós mesmos e de Deus. A primeira bem-aventurança diz que você é pobre espiritualmente, dependente de Deus para ser salvo. A segunda bem-aventurança diz que você chora por causa de seus pecados. Isso significa que por suas obras você merece apenas a condenação, você é pobre, mas Deus é rico em misericórdia, por isso não te condenou, pelo contrário, te salvou pela graça mediante a fé em Jesus Cristo. Saber disso te conduz a ser manso diante de Deus e de seu próximo.
O manso vê a mão soberana de Deus sobre todas as coisas, inclusive sobre as perseguições que sofre. Não murmura exigindo tratamento especial, mas é cheio de gratidão a Deus por Seus cuidados.
Diante do próximo, o manso é misericordioso, pois foi tratado com misericórdia por Deus. Por ter recebido o bem de Deus, não paga com o mal o mal que recebe dos outros, não busca vingança, antes entrega a Deus, pois somente Deus pode aplicar a justiça perfeita aos ofensores.
O manso, mesmo tendo todos os pretextos para irar-se, revidar e ficar ressentido, ele mantém-se em autocontrole. Ele perdoa 70×7 vezes aqueles que se arrependem e lhes pedem perdão. Isso porque ele reconhece que sua dívida para com Deus era maior, era infinita, impagável, mas Cristo pagou sua dívida, concedendo-lhe perdão. Porque ele foi perdoado, ele perdoa.
Devemos agir assim, olhando para quem somos, pecadores salvos pela graça de um Deus Santo, Justo e Bom. Assim não teremos um pensamento elevado sobre nós mesmos, isso removerá nosso orgulho de querermos ser sempre tratados bem pelos outros, assim não ficaremos pensando nas injúrias sofridas.
Jonathan Edwards disse que: “O orgulho é o fundamento de um espírito de ressentimento e vingança”.
Ao olharmos a Escritura e ver o que Deus em Cristo fez por nós e o quanto Ele nos ama, jamais seremos controlados pelo que os outros pensam de nós. Porém não devemos confundir mansidão com incapacidade ou franqueza. O manso é aquele que, mesmo possuindo poder para revidar ou conquistar, não usa em benefício próprio. Isso porque não age baseado em interesses egoístas, mas nos interesses de Deus.
A palavra grega utilizada por nosso Senhor Jesus para “manso” era empregada para descrever “um animal domesticado”. Um cavalo selvagem que havia sido domado. Assim como o cavalo tem força suficiente para se rebelar contra seu dono, mas não o faz, assim também é o cristão, o manso, pois é submisso à vontade de Deus.
Ele é controlado pelo poder do Espírito Santo para agir conforme ao que agrada a Deus. As circunstâncias não têm poder sobre ele, mas o Espírito Santo.
Mansidão não é covardia. Os mártires cristãos foram pessoas mansas, mas não negaram Jesus diante de seus acusadores. O nosso Senhor era manso e humilde de coração, mas usou um chicote para expulsar os vendilhões do templo. Enfrentou os líderes religiosos que com suas tradições pervertiam a Palavra de Deus.
O Apóstolo Paulo proclamou a palavra com coragem diante das autoridades civis e religiosas. O apóstolo Pedro, após ser solto da prisão e proibido de pregar o Evangelho, com coragem declarou: “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29).
Quando se trata da perseguição por causa do Evangelho, o manso não revida fisicamente ou verbalmente com palavras insultuosas, mas ele não deixa de proclamar o Evangelho mesmo diante da morte. Isso porque não ama os benefícios deste mundo como os ímpios que serão destruídos. Sua herança, sua pátria não está aqui, mas na glória do novo céu e nova terra.
O nosso maior exemplo de mansidão é o nosso Senhor Jesus Cristo, Ele é “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Ele nos mandou aprender dele essas qualidades para que encontremos descanso para nossas almas. Embora a Ele tenha sido prometido um Reino, ELE NÃO CONQUISTOU ESSE REINO, USANDO O PODER QUE TINHA, ELE NÃO ESCOLHEU O CAMINHO SEM DOR.
ELE É O NOSSO REI MANSO QUE FOI A JERUSALÉM PARA A MORTE montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta” (Mateus 21.5).
“ELE não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (I Pedro 2: 22,23).
Ele foi chamado de Samaritano e possuidor de demônios. Ele foi acusado de ser beberrão, blasfemo, amigo de publicanos e pecadores. Seus inimigos o odiaram sem causa. Na cruz orou por seus inimigos mesmo tendo o poder para destruí-los.
Ele não conquistou seu reino como os poderosos deste mundo, com poderio militar, disse a Pilatos: “o meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos...” (Jo 18:36).
Na cruz ele foi entronizado ao destronar os príncipes e poderes deste mundo, os controladores espirituais dos homens. Ele venceu Satanás, o pecado e a morte.
O seu reino não avança pelo poder da espada, mas através da pregação do Evangelho. Seu reino não conquista a força física humana, mas seus corações. E mesmo diante das perseguições e morte de seus discípulos, que são mansos como seu Rei, o seu reino conquistará toda a Terra, até que um dia todas as nações o adorarão.
Você é manso como Jesus? Você já é discípulo dele? A mansidão é um dom de Deus para todos aqueles que se arrependerem de seus pecados e crerem em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Creia.  

 

Publicado originalmente na versão impressa de DEMOCRATA, 1667, 15/5/2021 p. 11

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