SÃO JOSÉ DO RIO PARDO E REGIÃO – ANO 34



A ditadura do corpo perfeito

30/05/2021 - por Maria Betânia dos Santos Chaves

Nunca na história da humanidade o culto ao corpo foi tão intenso como nos dias atuais, as preocupações das pessoas em estarem em forma, a procura por medidas ideais, satisfação pessoal, alegria, prazer ou até mesmo motivação na vida tem sido intenso nos últimos anos esses tipos de procuras.
Hoje em dia, cirurgiões plásticos e esteticistas são um dos profissionais mais procurados por mulheres, e até por homens. As pessoas se preocupam cada vez mais com a forma física, os quilinhos a mais, a pele, o cabelo, o corpo em geral, porém não somente como uma forma de estar com a saúde impecável, mas sim como forma de aparentar ser impecável.
A palavra estética, originada do grego aisthésis, refere-se à cognição pelos sentidos, ou seja, a “compreensão pelos sentidos”. É uma área da filosofia que perpassa e ultrapassa o campo visual já que compreende um conjunto de sensações que refletem a percepção da beleza. Além das avaliações e julgamentos do que é o belo, contempla-se também a emoção que ela suscita nos seres humanos. Essa concepção está presente especialmente na arte, mas diz respeito a toda a natureza. Dessa forma, infere-se uma questão: “o que é a beleza?” e com ela, o chavão de que gosto não se discute.
É claro que não se pode definir objetivamente a beleza, visto que ela não é uma propriedade imutável que se atribui ou não às pessoas, mas uma sensação própria do sujeito que a percebe, ajustada aos seus valores pessoais, ainda que tais valores estejam inevitavelmente subordinados aos valores culturais e histórico-sociais de determinada sociedade em dado tempo histórico. A beleza é relativa, não há como negar, mas essa relativização é profundamente ofuscada pela busca de uma essência ideal, de um padrão de beleza.
As transformações dos padrões de beleza do corpo feminino ao longo do tempo marcaram a evolução de diferentes visões sociais acerca do modelo estético que deveria ser incorporado pelas mulheres. A forma como as mulheres eram retratadas no período colonial, por exemplo, distancia-se bastante do modelo buscado atualmente e isso eu já disse em um artigo que escrevi no ano passado. Além desse processo corrente, isso evidencia também que os padrões são produtos de uma cultura.
As mulheres são diferentes, podem ser altas, baixas, gordas, magras, de todas as formas e tamanhos e não há nada de errado em fugir do padrão estabelecido pela sociedade, que é totalmente midiático. Toda mulher deveria simplesmente amar seu corpo. A beleza é tão somente uma contemplação subjetiva e relativa, não deveria ser enquadrada em padrões que excluem e discriminam e que, em alguns casos, acabam com vidas. Pode ser clichê, mas é legítimo: bonita é ser você. E, na sociedade em que vivemos, pasmem, descata-se quem é de verdade. Difícil achar quem é de verdade agora que procedimentos estéticos estão cada vez mais acessíveis às mais diversas classes sociais e não restrito somente à elite.
Há celebridades totalmente desconfiguradas devido aos procedimentos estéticos que se sujeitaram. Há algumas tidas como aberrações pelo que fizeram com o próprio corpo em busca da beleza ideal. Será para causar impacto?
Você ficaria melhor com uma harmonização facial. Um silicone iria bem. Clareia o cabelo. Escurece o cabelo. Corta. Faz implante. Um preenchimento labial...
Com tanta pressão, como se ser “belo” fosse somente o artificial, há uma infinidade de pessoas que ficam inibidas ou envergonhadas por estar acima do peso, ter celulite ou não gostar disso ou daquilo no próprio corpo. As pessoas estão com vergonha do natural, de ser de verdade.
De nada adianta ter um corpo perfeito se a pessoa não estiver consciente do que realmente conta para uma vida prazerosa e harmônica.
E assim vai caminhando a sociedade atual, em busca de um corpo perfeito que venha trazer benefícios pessoais, nos relacionamentos de casais, e também nos relacionamentos sociais. Vive -se uma ditadura da beleza onde o corpo é o alvo de todos os sacrificios.
 

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.

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