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História do feminismo no Brasil - Parte I

30/05/2021 - por Maria Betânia dos Santos Chaves

Você sabe como o movimento feminista aconteceu no Brasil? Conhece as mulheres que lutaram para termos os direitos que temos hoje?
É provável que a resposta seja não. Nem mesmo eu que vivo pesquisando sabia...
Se a história do feminismo no Brasil não é muito conhecida, deve-se também ao fato de ser pouco contada.
Talvez, em algum momento você já tenha ouvido falar de Marie Curie, Simone de Beauvoir, Angela Davis e outros grandes nomes do feminismo no mundo. Mas está na hora de saber os das brasileiras também.
Os direitos da mulher poder estudar, votar, escolher a própria profissão e se divorciar eram sonhos distantes, há um tempo não tão distante assim. Se hoje se tornaram parte integrante da sociedade e do nosso dia a dia, isso só foi possível graças à luta organizada de muitas mulheres ao longo dos anos. 
O movimento de mulheres do Brasil é um dos mais respeitados do mundo e um dos de melhor performance dentre os movimentos sociais do país, segundo Sueli Carneiro, filósofa, escritora e ativista antirracismo.
Ela cita como exemplo o papel do movimento na construção da Constituição de 1988, que mudou radicalmente o status jurídico das mulheres no país. Entre outros feitos, acabou com a prevalência do poder do homem sobre as decisões da família (o que é conhecido com pátrio poder). 
Mas mesmo diante de tantas conquistas, há ainda hoje um tabu e uma forte resistência em torno da palavra “feminismo”. Tanto em vídeo, como em postagens abertas em redes sociais, encontramos mulheres menosprezando o feminismo, ofendendo quem se diz feminista e se dizendo contra o feminismo, como se fosse algo vergonhoso.
Areação desencadeada pelo antifeminismo foi tão forte e competente, que não só promoveu um desgaste semântico da palavra, como transformou a imagem da feminista em sinônimo de mulher mal amada, machona, feia e o oposto de ‘feminina’”, afirma Constância no artigo Feminismo e literatura no Brasil. Segundo ela, provavelmente por receio de serem rejeitadas ou “mal vistas”, muitas brasileiras passaram a recusar tal título. 
Para trazer um pouquinho de conhecimento, decidi resumir a história para que as novas gerações conheçam as conquistas das mulheres, os nomes das pioneiras e a luta das que viveram antes de nós.
O movimento feminista, com esse nome e como movimento social, nasceu no fim do século 19. Mas antes disso, já existiam mulheres no Brasil que lutaram pelas mais diversas formas de liberdade. Mas pouco se sabe delas na história que aprendemos na escola.
Segundo a historiadora Patrícia Batalha, “durante o período colonial, devido ao protagonismo patriarcal da escrita da história, não temos relatos contundentes sobre mulheres. Mas graças à oralidade pudemos encontrar e reconhecer as lutas de mulheres que formam as raízes do movimento feminista brasileiro”.
São mulheres que lutaram (pegaram em armas mesmo) em eventos importantes da história do Brasil. Dandara dos Palmares, por exemplo, teria liderado no século 17 as falanges femininas do exército do quilombo do Palmares, participando de lutas de defesa do quilombo na região da Serra da Barriga, em Alagoas, ao lado do companheiro Zumbi dos Palmares. No entanto, há historiadores que a reconheçam apenas como uma personagem lendária e não como uma figura histórica.
Não muito longe dali, Clara Camarão lutou contra as invasões holandesas na região da capitania de Pernambuco. Em 2017 ela passou a compor o Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria – para que um nome seja incluído nesse livro, ele precisa ser aprovado pelo Congresso. 
Um ano depois, o nome de Dandara também entrou para esse livro, um marco importante para a população negra.
A falta de estudos e reconhecimento histórico ocorre também com Luísa Mahin, que liderou uma das principais revoltas negras de resistência à escravidão em Salvador no início do século 19, a Revolta dos Malês, segundo relato do seu filho, o abolicionista Luiz Gama.
O livro Um defeito de cor, da escritora Ana Maria Gonçalves, é inspirado na história de Luísa.
Teve mulher lutando também pela Independência do Brasil. Maria Quitéria de Jesus (1792-1853), conhecida como a “Joana D’Arc brasileira”, se passou por homem para fazer parte do Exército durante a luta pela Independência. Conseguiu um uniforme, cortou os cabelos e foi à luta. O próprio pai a denunciou, mas devido à sua dedicação e competência, o major responsável não aceitou sua baixa. Ela foi reconhecida por Dom Pedro I, que lhe concedeu a medalha de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro”. 

Maria Betânia é bióloga, formada na FEUC e foi conselheira tutelar por mais de cinco anos em São José do Rio Pardo. Escreve sobre direitos humanos.

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