Desde a enchente de 1977, considerada ´decamilenar´, os rio-pardenses se acostumaram a vincular eventuais problemas dessa natureza à abertura de comporta da represa de Caconde, que tem grande reservatório e responde pela regulação do nível do rio a jusante.
Mas as chuvas deste ano, mais intensas que o esperado, podem provocar cheias independentemente das manobras de vazão adotadas pela hidrelétrica de Caconde. Ou seja, mesmo que se consiga reter a maior parte do volume que chega à represa da usina Graminha, há que se considerar as contribuições vindas de afluentes e chuvas que caem em toda a bacia do Pardo, na região abaixo da barragem de Caconde. Ontem, por exemplo, aquela represa estava com capacidade comprometida em não mais que 81%, ainda podendo reter grande volume de água sem a necessidade de aumentar sua vazão. No entanto, o rio Bom Jesus, que aflui para o Pardo logo abaixo da barragem, estava com volume superior ao dobro do normal. No ponto em que deságua no Pardo, havia grandes árvores encobertas pelas águas. Pastos e lavouras da região estavam inundadas.
Os números de ontem, informados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) bem demonstram que os afluentes abaixo do reservatório de Caconde e as chuvas que vêm ocorrendo nesse mesmo trecho têm sido suficientes para fazer chegar muita água até São José do Rio Pardo.
Enquanto a hidrelétrica de Caconde registrava vazão de apenas 80 metros cúbicos por minuto, passavam pela hidrelétrica Euclides da Cunha volume bem superior: 169 metros cúbicos por minuto. Ou seja, a diferença (89 metros cúbicos por segundo) resulta das chuvas, afluentes e nascentes, a montante de São José do Rio Pardo e a jusante da barragem de Caconde.
Já pela hidrelétrica Armando de Salles Oliveira (Limoeiro), passavam 179 metros cúbicos por minuto, volume ainda maior devido às chuvas e outras contribuições recebidas entre as duas represas localizadas no município de São José do Rio Pardo.
Portanto, mesmo que o reservatório de Caconde consiga reter toda a água recebida a montante, é necessário monitorar os volumes das chuvas e dos afluentes do Pardo entre Caconde e São José. Caso se intensifiquem, poderá haver transbordamentos, inclusive no trecho urbano do rio Pardo.