Atrasos e cortes da Câmara na saúde já prejudicam a
população.
O atraso da votação do Orçamento Municipal 2010 e os cortes no orçamento da Saúde, por ação política dos vereadores de oposição, já estão sendo sentidos pela população, principalmente pela parcela que mais necessita, os doentes. A informação é da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São José.
"Este atraso na votação infelizmente acabou atrasando também todo processo de licitação para a compra de remédios, o qual deveria ter-se realizado por pregão presencial em dezembro. Não bastasse o atraso na votação do orçamento, a Câmara também cortou R$ 500 mil do item Atenção Básica de Saúde e R$ 100 mil de Atendimento de Alta Complexidade", relata a assessoria.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Waldemar Feltran Júnior, a retirada de R$ 500 mil reais da Atenção Básica implica em redução drástica de materiais de atendimento nas unidades de saúde e nos postos do Programa Saúde da Família (PSFs), como materiais para injeções, curativos, material para atendimentos domésticos de pacientes impossibilitados de comparecer aos postos, luvas, sacos de lixo especiais para resíduos infectantes, caixas de coleta de materiais usados (descarpac) e até espátulas para exame de garganta. E muito mais, segundo Celso Rubens Ferreira Cardoso, diretor da Secretaria de Saúde.
A falta desses materiais de consumo (muito mais do que os acima citados) compromete até a higiene dos atendimentos de saúde pública.
Um exemplo típico são as tiras para medição do diabetes, cuja entrega está sendo feita centralizada na farmácia municipal para garantir o controle, e a distribuição agora está sendo semanal.
"Este é um prejuízo clássico causado pela ação política que, visando o prefeito, prejudica diretamente a população", informa a Assessoria de Imprensa da Prefeitura.
Os diabéticos dos bairros são obrigados a ir até a farmácia, no Centro, toda semana, para obter as tiras que normalmente seriam distribuídas mensalmente nas unidades de saúde.
Remédios
De acordo com a farmacêutica Márcia Helena Costa e Silva, "durante todo o ano de 2009 não houve falta de medicamentos". A Farmácia Municipal segue estritamente a lista padrão de medicamentos a serem distribuídos pelo poder público, elaborada pelo Ministério da Saúde.
Porém, os atrasos na votação do Orçamento também estão sendo sentidos com relação aos medicamentos. A Farmácia Municipal, em agosto de 2009, realizou o planejamento para a compra de medicamentos para 2010, visando objetivamente a realização de um pregão presencial em dezembro. Entretanto, o mesmo não pôde ser realizado.
Com isso, além dos cortes em materiais de consumo, os pacientes ficam sem atendimento medicamentoso. Mesmo com estes problemas, a farmacêutica informou que teve de estabelecer uma estratégia de emergência para atender pacientes como for possível neste mês de janeiro, com um trabalho logístico que possa minimizar o prejuízo dos pacientes.
São 10 itens da lista padrão de 300 medicamentos que estão em falta, entre eles ácido fólico e sulfato ferroso, importantes para gestantes e crianças, porque, sem licitação, não puderam ser comprados a tempo. Da mesma forma, ácido valpróico (um anticonvulsivante), tramadol, omeprazol (este tem uma distribuição de 60 mil comprimidos/mês), levotiroxina (para tireóide), alopurinol (medicamento de uso contínuo para controle da artrite reumatóide - gota) e outros cinco medicamentos estão em falta até que seja realizada a licitação. "Nos reunimos com o setor de licitações para readequar a relação de medicamentos que vão constar do processo licitatório a realizar-se o mais breve possível", concluiu a farmacêutica.