Hoje não vou comentar um filme recente, este que passo a analisar foi feito já há uns bons anos atrás. Gostei tanto que o revi várias vezes. Esta semana, acabei comprando-o em VHS em um sebo, paguei por ele (vejam só!) R$ 1,00. Isso mesmo!
Essa produção inglesa é de 2003, o título em inglês é “Actually Love” (Amor, de fato), em português – “Simplesmente Amor”.
Esta película prova que para fazer sucesso e um dinheirão nas bilheterias, não precisa, de fato, ter grandes proporções.
Com um elenco estelar formado basicamente por amigos do diretor (que trabalharam por salários do sindicato, longe de seus verdadeiros cachês), várias histórias fazem cruzar a vida de onze personagens que estão diante de dilemas sobre o amor.
O primeiro-ministro da Inglaterra (Hugh Grant), solteiro e charmoso, se interessa por sua funcionária plebeia. O escritor Colin Firth não resiste ao charme da portuguesa que limpa sua casa e, apesar de ambos não entenderem a língua um do outro, estão em uma sintonia mágica; Laura Linney é apaixonada pelo colega de trabalho Rodrigo Santoro, mas não tem coragem de se aproximar: Keira Nightley acabou de se casar, mas o melhor amigo de seu esposo tem uma revelação a fazer; Emma Thompson tem absoluta certeza de que o marido Alan Rickman a está traindo (há uma pequena participação de Rowan Atckinson no filme – o Mr. Bean); o antigo garoto talento Bill Nighy tenta, em vão, reviver sua carreira de astro do rock. Liam Neeson fica viúvo e agora é responsável pelo enteado, um menino que também está apaixonado.
Dirigido por Richard Curtis, o resultado de seu trabalho deu ao público uma das grandes surpresas de 2003. Isto porque as situações a que se encontram os personagens, mesmo que não sejam profundas, são mostradas de forma leve e positiva, porém não se esquecendo do sofrimento a qual eles estão expostos.
A trilha sonora carrega Norah Jones, entre outros, possui músicas tradicionais inglesas.
E a magia do filme demonstra que está longe dele ser revolucionário, mas bebe generosamente na fonte do movimento dos loucos anos 60.
Naquela época, uma nova maneira de realizar “cinemão” estava surgindo. Cineastas com uma ninharia no bolso e uma grande ideia na cabeça começavam a conquistar espaço nas produções e conseguiam distribuir seus filmes.
Não eram mais necessários rios de dinheiro, o que passou a contar foi criatividade e jogo de cintura.
No início, os filmes valorizados eram da contracultura, revolucionários, assim como foi a Nouvelle Vague na França, o neorrealismo na Itália e o Cinema Novo no Brasil.
Um lampejo da paixão daquela época ainda sobrevive, “Simplesmente Amor” é uma prova disso. É como eu disse no início, para fazer sucesso e um dinheirão nas bilheterias não precisa ter grandes proporções.
Ah! Saudosos anos 60! Naquela época havia necessidade de coragem, criatividade e não muito dinheiro.
Até a metade do século passado, era consenso que um grande filme precisava ter um elenco estelar e um orçamento faraônico. Porém, com a quebra dos estúdios e a evasão do público, realmente uma nova maneira de fazer cinema surgiu. Acho que o dono do sebo não sabe da importância deste filme, do quão bom ele é. Nem deste e nem dos outros que ele comercia. Vendê-los a R$ 1,00 !!! Ninguém mais valoriza películas em VHS! Se formos vender filmes nesse sistema estão pagando... Sabe quanto? 0,10 por eles. Isso mesmo!
Meu plano é sempre comprar, assistir, se gostar doá-lo para o Cineclube Paradiso aí de São José do Rio Pardo.
Caros leitores, não deixem de conferir “Simplesmente Amor”.