Não sei como anda o estudo de textos de bom nível literário em nossas escolas de nível médio e superior. Sei que houve tempos em que alunos comuns tinham lido, através dos anos, uma apreciável quantidade de sonetos, poemas, contos e até livros de fôlego dos melhores escritores luso-brasileiros de todas as épocas.
Na esperança de que ao menos pessoas não tão novas se lembrem com saudade de sua fase de leitura dirigida, organizei este exercício de relacionar frases ou versos com o texto a que pertencem e o autor delas. Quem quiser, que tente:
1. Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida descontente...
2. As armas e os barões assinalados, que da ocidental praia lusitana, por mares nunca de antes navegados...
3. O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.
4. Por tudo isso se admira a Vieira; a Bernardes admira-se e ama-se
5. Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro, fui honrado pastor da tua aldeia.
6. Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.
7. Se eu morresse amanhã, viria ao menos fechar meus olhos minha triste irmã; minha mãe de saudades morreria se eu morresse amanhã!
8. Oh! que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais!
9. Querida, ao pé do leito derradeiro em que descansas dessa longa vida, aqui venho e virei, pobre querida, trazer-te o coração do companheiro.
10. Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo. Minha avó, meu avô, Totônio Rodrigues, Tomásia, Rosa – onde estão todos eles? Estão todos deitados, dormindo profundamente.
11. Como a ave que volta ao ninho antigo, depois de um longo e tenebroso inverno, eu quis também rever o lar paterno, o meu primeiro e virginal abrigo.
12. Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade tanto horror perante os céus? Ó mar, por que não apagas coa esponja de tuas vagas de teu manto este borrão?
13. Esta de áureos relevos, trabalhada de divas mãos, brilhante copa, um dia, já de aos deuses servir, como cansada, vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
14. Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais...mais outra... enfim dezenas de pombas vão-se dos pombais, apenas raia sanguínea e fresca a madrugada...
15. Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, ó ser humilde entre os humildes seres. Embriagado, tonto de prazeres, o mundo para ti foi negro e duro.
16. Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada do outono, quando a terra em sede requeimada, bebera longamente as águas da estação, — que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata, à frente dos peões filhos da rude mata, Fernão Dias Pais Leme entrou pelo sertão.
17. Última flor do Lácio, inculta e bela, és, a um tempo, esplendor e sepultura: ouro nativo que na ganga impura a bruta mina entre os cascalhos vela...
18. Escutem bem... Quando entardece, na meia-luz crepuscular tem a toada de uma prece a voz tristíssima do mar...
19. Fica distante da cidade e em frente à remansosa paz de uma enseada, esta dos meus romântica morada, que olha de cheio para o Sol nascente .
20. Entre brumas, ao longe, surge a aurora, o hialino orvalho aos poucos se evapora, agoniza o arrebol. A catedral ebúrnea do meu sonho aparece, na paz do céu risonho, toda branca de sol.
21. Ora, se deu que chegou (isso já faz muito tempo) no banguê dum meu avô uma negra bonitinha chamada negra Fulô.
22. Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius.
23. O planalto central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas.
24. É que não existe um Maudsley para os crimes e as loucuras das nacionalidades.
25. Estamos condenados à civilização: ou progredimos ou desaparecemos.
26. Capitu – olhos de cigana, oblíquos e dissimulados.
27. Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.
28. Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem. Antigamente aqui era o mar.
29. Era no tempo do rei. Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo – O canto dos meirinhos.
30. Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.
31. Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
32. E não há melhor resposta que o espetáculo da vida, mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina.
33. Vacilou e coçou a testa. Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem, avançou, pisou firme, perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro. Governo é governo. Tirou o chapéu de couro, curvou-se e ensinou o caminho ao soldado amarelo.
34. E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou. E agora, José?
35. Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem, não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia faço isso, gosto; desde mal em minha mocidade.
AGORA RESPONDA
l A frase final de Os sertões, de Euclides da Cunha. ( )
l Abertura do romance Capitães da areia, de Jorge Amado. ( )
l Famoso paralelo entre os dois grandes autores sacros da língua portuguesa. Autor: Antônio Feliciano de Castilho, que, apesar de cego desde os seis anos de idade, teve brilhante vida intelectual. ( )
l Conhecidos versos de “Meus oito anos”, do poeta romântico fluminense Casimiro de Abreu. ( )
l Descrição moral da enigmática personagem feminina do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. ( )
l Do final do longo poema modernista “Morte e vida severina”, de João Cabral de Melo Neto, levado ao teatro com música de Chico Buarque de Holanda. ( )
l Elaboradíssimos (e quase incompreensíveis) versos de Alberto de Oliveira no soneto parnasiano “Vaso grego”. ( )
l Estrofe inicial do soneto “Meu casal”, do poeta neossimbolista Mário Pederneiras.
( )
l Exemplar típico do ultrarromantismo de Álvares de Azevedo, poeta que morreu aos 21 anos. ( )
l Famosa apóstrofe (invocação) do poeta condoreiro baiano Castro Alves no poema abolicionista “Navio negreiro”. ( )
l Famosíssimos versos iniciais da “Canção do exílio”, do poeta romântico Gonçalves Dias. Algumas palavras deste poema foram inseridas na letra do Hino Nacional. ( )
l Final do conto “O soldado amarelo”, do livro Vidas secas, de Graciliano Ramos. ( )
l Final do poema modernista do poeta pernambucano Manuel Bandeira – “Profundamente”. ( )
l Frase inicial do poemeto épico “O caçador de esmeraldas”, de Olavo Bilac, parnasiano. ( )
l Frase inicial do romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. ( )
l Frase irônica do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. ( )
l Início de um soneto de Luís Vaz de Camões, o maior nome da Literatura Portuguesa, dedicado a uma de suas amadas, a chinesa Dinamene, morta em naufrágio na foz do rio Mekong, no atual Vietnã. ( )
l Início do famoso soneto “As pombas”, detestado por seu autor, o poeta parnasiano Raimundo Correia.. ( )
l Início do poema em prosa “O grande desastre aéreo de ontem”, de Jorge de Lima, modernista. ( )
l Início do primeiro capítulo do romance naturalista em que Raul Pompéia faz severas críticas à vida de um colégio afamado. ( )
l Início do sensual poema “Essa nega Fulô”, do poeta modernista Jorge de Lima.
( )
l Início do soneto de Machado de Assis – “A Carolina”, dedicado à sua mulher, falecida em 1904. ( )
l Monólogo que dominará todo o livro Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, em que o personagem-narrador quer provar a inexistência do demônio. ( )
l Palavras iniciais de Os sertões, de Euclides da Cunha. ( )
l Palavras iniciais do poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, que se transformou em bordão popular, empregado quando alguém se vê em situação dificultosa. ( )
l Primeira estrofe de “Língua portuguesa”, soneto parnasiano de Olavo Bilac, muito declamado em outros tempos. ( )
l Soneto dos mais declamados em outras épocas: “Visita à casa paterna”, de Luís Guimarães Júnior. ( )
l Talvez a mais célebre frase solta de Euclides da Cunha. ( )
l Últimos versos de “Sugestões do crepúsculo”, de Vicente de Carvalho, o poeta do mar. ( )
l Um dos mais citados versos de Fernando Pessoa, considerado o maior nome da Literatura Portuguesa, depois de Camões. ( )
l Um dos muitos versos dedicados pelo poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga à sua amada Maria Joaquina Doroteia de Seixas Brandão. Ele, magistrado quarentão. Ela, menina de 14 anos. ( )
l Versos de “Retrato”, de Cecília Meireles. ( )
l Versos de “Vida obscura”, soneto do poeta simbolista Cruz e Sousa – o grande nome negro da Literatura Brasileira. ( )
l Versos iniciais de Os lusíadas, longo poema épico quinhentista de Camões. Ao todo são 8.816 versos decassílabos dispostos em 1.102 estanças (estrofes). ( )
l Versos simbolistas de Alphonsus de Guimaraens, poeta que viveu em Mariana (MG), onde foi juiz municipal. ( )
RESPOSTAS
24 - 28 - 4 - 8 - 26 - 32 - 13 - 19 - 7 - 12 - 6 - 33 - 10 - 16 - 29 - 27 - 1 - 14 - 22 - 30 - 21 - 9 - 35 - 23 - 34 - 17 - 11 - 25 - 18 - 3 - 5 - 31 - 15 - 2 - 20